A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) compareceu nesta terça-feira (20) a mais uma audiência na Justiça italiana, no âmbito do processo que analisa um possível pedido de extradição ao Brasil. A sessão ocorreu na Corte de Apelação de Roma e terminou sem decisão, após a defesa solicitar a substituição dos juízes responsáveis pelo caso.
Com o pedido, o tribunal deverá agora definir um prazo para aceitar ou rejeitar a contestação apresentada pelos advogados. Enquanto isso, a análise do pedido de extradição fica novamente adiada. Esta foi a quarta tentativa de realização da audiência. As anteriores haviam sido adiadas por diferentes motivos, incluindo a adesão da defesa a uma greve de advogados em Roma e a apresentação de novos documentos à Corte.
Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após a decisão, ela deixou o Brasil e se mudou para a Itália, passando antes pelos Estados Unidos. Considerada foragida da Justiça brasileira, a ex-parlamentar tem cidadania italiana e afirma que deseja ser julgada no país europeu, alegando não ter participação no crime.
Em dezembro, o STF determinou a cassação do mandato de Zambelli, revertendo uma decisão da Câmara dos Deputados. Três dias depois, ela apresentou carta de renúncia à Casa. Ainda assim, a situação política da ex-deputada foi usada pela defesa como argumento no processo de extradição, sob a alegação de perseguição política e judicial no Brasil.
Durante a primeira audiência, realizada em 4 de dezembro, os advogados de Zambelli questionaram as condições do sistema prisional brasileiro. Diante disso, a Justiça italiana suspendeu o julgamento para aguardar informações oficiais. Em resposta, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou um documento detalhado, com imagens, sobre a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde a ex-deputada ficaria detida caso seja extraditada. O material aponta que a unidade segue padrões de segurança, salubridade e assistência, além de oferecer cursos e atendimento médico às detentas.
Zambelli foi presa na Itália em 29 de julho, após a polícia italiana cumprir um mandado de captura internacional solicitado pela Polícia Federal brasileira. Ela foi localizada em um apartamento no bairro Aurelio, em Roma, e encaminhada à penitenciária feminina de Rebibbia. Pedidos para que aguardasse o processo em liberdade ou prisão domiciliar foram negados, com a Corte destacando o risco de fuga.
A defesa também alegou problemas de saúde da ex-deputada, mas uma perícia médica concluiu que as condições apresentadas são compatíveis com o regime prisional e que eventuais tratamentos podem ser realizados dentro da unidade. O laudo ainda considerou viável um eventual traslado aéreo ao Brasil, desde que seguidas orientações médicas.
Em outubro, o Ministério Público italiano se manifestou favoravelmente à extradição. Caso a Corte de Apelação




