A Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes foi palco de um procedimento raro e de alta complexidade que salvou a vida de uma recém-nascida de apenas 1,64 quilo. A bebê nasceu prematuramente, com 34 semanas de gestação, e apresentava gastrosquise – uma má-formação congênita caracterizada pela abertura na parede abdominal, próxima ao umbigo, que faz com que órgãos internos se desenvolvam fora do corpo, sem a proteção de uma membrana. A condição afeta cerca de um a cada 5 mil nascidos vivos.
Sob a coordenação do cirurgião e urologista pediátrico Dr. Kleber Sayeg, uma equipe multiprofissional atuou de forma simultânea em duas salas cirúrgicas. Em uma delas, a mãe, de 18 anos, foi submetida à cesariana. Logo após o parto, a recém-nascida foi levada para a segunda sala, onde ocorreu a correção cirúrgica.
“Tudo correu 100% bem! Foi um trabalho de excelência, graças à equipe altamente gabaritada da Santa Casa. São raros os hospitais públicos preparados para uma tarefa desse porte”, afirmou Sayeg. O atendimento foi realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Mobilização de especialistas
O preparo mobilizou dois ginecologistas e obstetras, dois cirurgiões pediátricos, dois anestesistas (incluindo um pediátrico especializado em crianças com menos de 1,7 kg), um neonatologista, enfermeiras de UTI Neonatal, além de fisioterapeuta e equipe de enfermagem. A cirurgia durou cerca de 50 minutos.
Segundo Sayeg, a cesárea ocorreu no momento exato para evitar complicações. Ao nascer, a bebê foi imediatamente intubada e submetida à anestesia. Durante a operação, a abertura abdominal foi transformada em umbigo. “Houve todo cuidado estético para perfeição. Ela não terá qualquer cicatriz. Poderá ir à praia de biquíni, sem preocupação com o que passou nos primeiros minutos após vir ao mundo”, destacou o médico.
Recuperação rápida e segura
Menos de 24 horas após a cirurgia, a recém-nascida já havia sido retirada da ventilação mecânica e do uso de relaxante muscular. Atualmente, ela segue em recuperação na UTI Neonatal da Santa Casa, onde permanecerá até atingir peso adequado para alta hospitalar.
O cirurgião ressaltou que a rapidez no atendimento foi decisiva: “Se a correção não fosse feita imediatamente, o risco de morte seria altíssimo. Em outro hospital, onde não houvesse estrutura, a transferência poderia levar tempo demais, aumentando o risco de sepse em até 48 horas.”
Referência regional
A Santa Casa de Mogi, reconhecida por sua excelência em Obstetrícia e Neonatologia, mais uma vez se destacou ao autorizar e realizar um procedimento de tamanha complexidade. Para Sayeg, o sucesso reflete a qualidade da instituição e a dedicação de seus profissionais: “É um hospital fantástico, com uma equipe multiprofissional padrão ouro, de empenho inquebrantável.”
Além de sua atuação na Santa Casa, o Dr. Kleber Sayeg é mestre em Medicina Regenerativa na Reconstrução Uretral e professor de Cirurgia Pediátrica na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e na Faculdade Santa Marcelina.




