Aos 23 anos, parlamentar do PL saltou de 3,5 mil votos como vereadora em Praia Grande para 1,95 milhão na disputa estadual; na região, recebeu 52.430 votos
Eduarda Campopiano (PL) foi um dos principais destaques das eleições de 2026 em São Paulo. Aos 23 anos, a então vereadora de Praia Grande foi eleita deputada estadual com 1.956.238 votos, tornando-se a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
O resultado foi confirmado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). Campopiano recebeu 8,39% dos votos válidos para deputado estadual no estado.
A votação representa uma mudança significativa em relação à sua primeira eleição. Em 2024, Campopiano foi eleita vereadora de Praia Grande pelo PL com 3.583 votos. Dois anos depois, ampliou sua votação para quase dois milhões de eleitores na disputa estadual.
E parte desse resultado também veio do Alto Tietê.
52.430 votos no Alto Tietê
Mesmo tendo sua trajetória política ligada a Praia Grande, no litoral paulista, Campopiano recebeu 52.430 votos nos dez municípios do Alto Tietê.
A distribuição foi:
| Município | Votos |
|---|---|
| Mogi das Cruzes | 17.260 |
| Itaquaquecetuba | 9.465 |
| Suzano | 7.966 |
| Ferraz de Vasconcelos | 4.639 |
| Poá | 4.345 |
| Arujá | 3.783 |
| Santa Isabel | 2.283 |
| Guararema | 1.171 |
| Biritiba Mirim | 994 |
| Salesópolis | 524 |
| Total | 52.430 |
Mogi das Cruzes foi o principal município do Alto Tietê na votação da parlamentar, com 17.260 votos, seguido por Itaquaquecetuba, com 9.465, e Suzano, com 7.966.
Os 52.430 votos obtidos pela candidata representam uma parcela relevante da votação regional para deputado estadual e ajudam a dimensionar o alcance de uma candidatura cuja carreira política foi construída fora do Alto Tietê.
Quem é Eduarda Campopiano?
Nascida em Campinas, em 2003, Eduarda Campopiano ganhou projeção pública principalmente por meio das redes sociais e de participações em programas e podcasts de debate político.
Sua primeira eleição ocorreu em 2024, quando foi eleita vereadora de Praia Grande pelo PL. Desde então, passou a construir uma imagem política associada a pautas conservadoras e a críticas a movimentos e propostas identificados com o campo progressista.
Na campanha de 2026, ampliou essa atuação para o cenário estadual e adotou uma comunicação marcada por posições ideológicas explícitas e confrontos com adversários políticos.
Em entrevista à Folha após a eleição, Campopiano afirmou que pretende manter uma postura de enfrentamento durante o mandato e declarou que “a guerra tá só começando”.
Posições políticas
Entre as posições defendidas publicamente por Campopiano estão a oposição a propostas relacionadas à criminalização da misoginia e à ampliação do aborto.
A parlamentar também defende medidas de apoio a gestantes, o endurecimento de penas para crimes e o porte de armas como uma forma de proteção para mulheres.
Em entrevistas após a eleição, afirmou ainda que pretende atuar no que chama de “combate cultural”, além de priorizar temas relacionados à segurança pública e à defesa de pautas conservadoras.
Campopiano também se autodefine como uma forte opositora do feminismo. A expressão “a maior inimiga das feministas de São Paulo” foi utilizada por ela própria e repercutiu na cobertura da eleição.
Controvérsias durante a ascensão política
A projeção nacional de Campopiano também foi acompanhada por controvérsias envolvendo declarações feitas publicamente.
Um dos episódios ocorreu após declarações da parlamentar sobre povos indígenas durante participação em podcast. As falas provocaram reações de lideranças indígenas e motivaram iniciativas para que o caso fosse analisado por órgãos públicos.
Na cobertura do episódio, foram mencionadas manifestações da deputada federal Sônia Guajajara e da liderança indígena Katú Mirim.
É importante destacar que pedidos de investigação ou representações não equivalem a condenação judicial.
Caso Erika Hilton
Após a confirmação de sua eleição, Campopiano voltou a gerar repercussão nas redes sociais ao publicar uma mensagem direcionada à deputada federal Erika Hilton (PSOL).
Na publicação, Campopiano utilizou a expressão “homem biológico” para se referir a Hilton e questionou como seria, para a deputada, saber que nunca ocuparia o espaço de “mulher mais votada de São Paulo”.
A publicação levou a uma representação apresentada pela deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Segundo a CNN Brasil, a representação foi protocolada no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MPSP e pede investigação por transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero.
Até o momento, trata-se de uma representação apresentada ao Ministério Público, e não de uma condenação judicial.
Como Campopiano chegou a quase 2 milhões de votos?
A trajetória eleitoral da parlamentar foi marcada pelo forte uso das redes sociais e por uma comunicação política baseada em posicionamentos claros sobre temas culturais, segurança pública, feminismo e costumes.
A própria Campopiano atribuiu parte de sua votação à comunicação direta com o público e ao uso das redes sociais. Em entrevista ao UOL, afirmou que não apostou em estratégias tradicionais de marketing e que sua campanha teve forte componente ideológico.
Ela também é apontada como afilhada política de Lucas Pavanato (PL), que foi eleito deputado federal por São Paulo com a maior votação do estado para a Câmara dos Deputados em 2026.
O resultado mostra a dimensão alcançada por sua comunicação: Campopiano recebeu votos em todos os 645 municípios paulistas, segundo levantamento baseado nos dados eleitorais.
No Alto Tietê, foram 52.430 votos.
Do mandato municipal à Alesp
A ascensão eleitoral de Eduarda Campopiano ocorreu em um intervalo de apenas dois anos.
Em 2024, foram 3.583 votos para a Câmara Municipal de Praia Grande. Em 2026, o número saltou para 1.956.238 votos na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa.
No Alto Tietê, foram 52.430 votos distribuídos pelos dez municípios da região.
A votação estadual garantiu a Campopiano o primeiro lugar entre os candidatos a deputado estadual em São Paulo. O TRE-SP confirmou que ela foi eleita pelo sistema proporcional, pelo quociente partidário (QP).
A parlamentar assumirá o mandato na Alesp a partir de 2027, com duração de quatro anos.
Agora, sua atuação deixará de estar concentrada principalmente nas redes sociais e passará a integrar oficialmente o Legislativo paulista. A expectativa é que as posições que marcaram sua campanha também estejam presentes nos debates e projetos da Assembleia.
Para o Alto Tietê, os 52.430 votos obtidos pela deputada eleita representam ainda um dado relevante do comportamento eleitoral de 2026: uma candidatura construída fora da região conseguiu conquistar dezenas de milhares de votos nos dez municípios, mostrando a força que campanhas de alcance estadual podem alcançar por meio das redes sociais.


